Sou assim... feliz e triste, amável e briguenta, companheira e individualista, obediente e mandona, legal e chata, acompanhada e sozinha, despojada e materialista, etc e etc... Enfim, sou como todo mundo com qualidades e defeitos hauahauahau.
Segunda-feira, Março 28, 2005
Ai está uma crônica do maravilhoso Luís Fernando Veríssimo o qual fala sobre o tímido, e como estes dias fui tomada por um surto de timidez acabei por me identificar com esta crônica.
Também aproveitei pra fazer uma descrição da pessoa Luís Fernando Veríssimo e colocar uma foto para que todos o conheçam.
Beijos a todos
Lili
Luis Fernando Veríssimo nasceu em 26 de setembro 1936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho do grande escritor Érico Veríssimo, iniciou seus estudos no Instituto Porto Alegre, tendo passado por escolas nos Estados Unidos quando morou lá, em virtude de seu pai ter ido lecionar em uma universidade da Califórnia, por dois anos. Voltou a morar nos EUA quando tinha 16 anos, tendo cursado a Roosevelt High School de Washington, onde também estudou música, sendo até hoje inseparável de seu saxofone.
É casado com Lúcia e tem três filhos.
Jornalista, iniciou sua carreira no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, em fins de 1966, onde começou como copydesk mas trabalhou em diversas seções ("editor de frescuras", redator, editor nacional e internacional). Além disso, sobreviveu um tempo como tradutor, no Rio de Janeiro. A partir de 1969, passou a escrever matéria assinada, quando substituiu a coluna do Jockyman, na Zero Hora. Em 1970 mudou-se para o jornal Folha da Manhã, mas voltou ao antigo emprego em 1975, e passou a ser publicado no Rio de Janeiro também. O sucesso de sua coluna garantiu o lançamento, naquele ano, do livro "A Grande Mulher Nua", uma coletânea de seus textos.
Participou também da televisão, criando quadros para o programa "Planeta dos Homens", na Rede Globo e, mais recentemente, fornecendo material para a série "Comédias da Vida Privada", baseada em livro homônimo.
Escritor prolífero, são de sua autoria, dentre outros, O Popular, A Grande Mulher Nua, Amor Brasileiro, publicados pela José Olympio Editora; As Cobras e Outros Bichos, Pega pra Kapput!, Ed Mort em "Procurando o Silva", Ed Mort em "Disneyworld Blues", Ed Mort em "Com a Mão no Milhão", Ed Mort em "A Conexão Nazista", Ed Mort em "O Seqüestro do Zagueiro Central", Ed Mort e Outras Histórias, O Jardim do Diabo, Pai não Entende Nada, Peças Íntimas, O Santinho, Zoeira , Sexo na Cabeça, O Gigolô das Palavras, O Analista de Bagé, A Mão Do Freud, Orgias, As Aventuras da Família Brasil, O Analista de Bagé,O Analista de Bagé em Quadrinhos, Outras do Analista de Bagé, A Velhinha de Taubaté, A Mulher do Silva, O Marido do Doutor Pompeu, publicados pela L&PM Editores, e A Mesa Voadora, pela Editora Globo e Traçando Paris, pela Artes e Ofícios.
Além disso, tem textos de ficção e crônicas publicadas nas revistas Playboy, Cláudia, Domingo (do Jornal do Brasil), Veja, e nos jornais Zero Hora, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e, a partir de junho de 2.000, no jornal O Globo.
Na opinião de Jaguar "Verissimo é uma fábrica de fazer humor. Muito e bom. Meu consolo ¿ comparando meu artesanato de chistes e cartuns com sua fábrica ¿ era que, enquanto eu rodo pelaí com minha grande capacidade ociosa pelos bares da vida, na busca insaciável do prazer (B.I.P.), o campeão do humor trabalha como um mouro (se é que os mouros trabalham). Pensava que, com aquela vasta produção, ele só podia levantar os olhos da máquina de escrever para pingar colírio, como dizia o Stanislaw Ponte Preta. Boemia, papos furados pela noite a dentro, curtir restaurantes malocados, lazer em suma, nem pensar. De manhã à noite, sempre com a placa "Homens Trabalhando" pendurada no pescoço."
CONTO DA TIMIDEZ (Luís Fernando Veríssimo)
Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Daqueles que sempre quebram na concentração.
Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando "Não me olhem! Não me olhem!" só para chamar a atenção.
O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.
O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira o seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra.
O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões,mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma platéia, o tímido não pensa nos membros da platéia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a platéia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida deque é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.
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postado por: Lili 4:38 PM
Quarta-feira, Março 23, 2005
Novamente com a maravilhosa escritora, cantora, atriz, enfim, ela Elisa Lucinda.
No post de hoje coloco um texto que gosto muito e conheci através do DVD documentário da Ana Carolina.
Logo abaixo aproveito pra falar um pouco sobre Elisa Lucinda que eu adoro.
Beijos a todos
Lili
Elisa Lucinda nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1958, onde se formou em jornalismo e chegou a exercer a profissão. Em 1986, mudou-se para o Rio disposta a seguir a carreira de atriz. Trabalhou em algumas peças, como "Rosa, um Musical Brasileiro", sob direção de Domingos de Oliveira, e "Bukowski, Bicho Solto no Mundo", sob direção de Ticiana Studart. Integrou, ainda, o elenco do filme "A Causa Secreta", de Sérgio Bianchi.
"O Semelhante", onde a poeta se apresenta declamando seus versos e conversando com a platéia, estreou no Rio e teve temporadas de sucesso em várias capitais. No mesmo formato apresentou "EUTEAMO Semelhante", também com excelente
receptividade. Publicou, entre outros, os livros "A Menina Transparente", "Euteamo e suas estréias", "O Semelhante" e a "Coleção Amigo Oculto" (trilogia infantil). Gravou os Cd¿s de poesias: ¿Semelhante¿ e ¿Euteamo e suas Estréias¿ , sob o selo da gravadora Rob Digital. Há quem critique a temática por demais cotidiana da poesia de Elisa. "A grandeza de um céu estrelado está presente no cotidiano das pessoas; minha poesia fala do cotidiano, sim, pois para mim os sentimentos mais profundos, alegres ou tristes, podem ser traduzidos de forma cotidiana e simples", ela rebate.
AMOR PELOS DESFECHOS (Elisa Lucinda)
Chovia fino porém decidido, eu entro num taxi mandado a me buscar, e que me aguardava na porta de casa já há uns 15 minutos.
- Boa Noite. Aonde vamos? perguntou o motorista.
Eu falei:
- Não sei, o senhor não sabe?
- Ahh essa é boa, é a primeira vez que eu pego uma passageira que não sabe pra onde vai! Vou te contar, hein!
- Pera lá o senhor foi contratado para me levar numa corrida para qual já foi até pago e não sabe?
- Não senhora, a empresa apenas me bipa, eu venho no endereço certo!
- Bem, o que eu sei meu querido, é que vamos pro Recreio na casa da Ana Carolina, a cantora.
- Ahh a cantora, pô essa mulher é fera hein! Como é que a gente chega lá?
E eu já de celular em punhos.. falando com a própria, - como é que eu faço pra chegar ai, etc etal... patatipatata...
- Mas essa menina canta muito bem hein, alias essa musica que tá tocando ai dela na novela é uma versão boa hein, mas a primeira foi do José Augusto. Aquele que.. "Agora aguenta coração"
- Sei mas eu não conheço a versão dele praessa música que ela gravou com a versão dela..
- Ahh é muito bonita a senhora quer ouvir?
Pois não é que o Marcos, era o nome dele, Marcos.. sacou do cd o melhor de José Augusto, colocou no excelente som do seu carro imediatamente, seguimos na estrada ouvindo aquela breguice toda, cada um de nós fazendo suas comparações, e suas escolhas, ele preferia a versão dele, e eu disparadamente a dela, e a conversa vai até quando éramos pequenos, estávamos somando gosto pela música parecido na infância, coisa e tal.. a conversa seguia boa, até que ele perguntou:
- Será que a Ana Carolina sabe que existe outra versão dessa música hein?
- Não sei meu querido, mas eu vou perguntar para ela?
- Jura!!!
- Juro!!
- Vai dizer que eu coloquei o disco e tudo?
- Claro.. eu vou contar a história desde a hora que ainda não sabíamos para onde íamos!
A chuva caia lá fora, e a noite no Recreio de Bandeirantes me parecia mais longe.. mas desconhecida! E fomos seguindo entrando ali, entrando num edifício a cola.. adivinhandouma esquina, procurando a cor vermelha do edifício conforme a própria dona da casa havia me dito, pelo telefone.. parecia ser num bloco adiante.
- Quer dizer que a senhora... você vai contar a ela o assunto sobre essa nossa corrida que eu sou fã delae tudo?
- Claro que vou!
- É e a gente pensando será que ela vai gostar de saber?
- Talvez ela já saiba Marcos, mais uma coisa é uma coisa e outra é outra coisa.
- Me dá uma vontade de ser uma mosquinha e assistir tudo que vai acontecer lá quando você contar, não é que eu seja curioso não sabe!
- Ah não, você é uma espécie de enxerido cientifico..
- É minha senhora, é essa que a tristeza do motorista de taxi!
- Qual a tristeza Marcos?
- A gente não sabe o final, é sempre essa agonia, "Moço pelo amorde Deus, toca pro Santos Dumont, eu tenho que pegar esse avião que sai em 20 minutos, lá em São Paulo um cara vai tá me esperando no aeroporto, de lá a gente vai numa reunião, que dependendo do resultado, eu vou poder me separar da Odete e casar com aPatrícia, eu nem acredito! Deus me ajude! Corre moço!". Ai você pisa firme, você toma multa, mas deixa o cara no destino. E a parte deles com a gente só vai até o "Obrigado, hein valeu!" e a nossa no "Boa sorte, boa sorte". Você fica pensando nos possíveis finais, eu fico assim, "será que ele pegou o avião?", "será que ele perdeu? "Chegou lá já não tinha ninguém esperando em São Paulo", "Será que ficou tarde, e ele não conseguiu resolver o negócio de divorciar da Odete e casar com Patrícia?"
- É o Marcos, você tem razão, porque você com seu serviço passa a ser um personagem na trama, um personagem cuja a ação é decisiva pro desfecho!
- Pois é, e quando a gente leva pra parir! Nossa Senhora! Quando chega lá deixa passageiros do parente, dá vontade de entrarno hospital, saber noticias, esperar um pouco, perguntar se é menino ou menina, .. não que eu seja intrometido!
- Não, não é Marcos, você é solidário, é diferente, você se importa com a historia do outro, você tá ajudando a construir, você considerao outro, sua curiosidade é uma certa compaixão pelo outro, você quer acompanhar o desenrolar dos fatos depois que você o deixa!
- A senhora é psicóloga hein?
- Não, Eu sou escritora e atriz
- Então você também aprecia o roteiro da vida, né?
- Sim é, eu vivo como você, pensando nos enredos, no meu e nos dos outros, tem uma parte dele de um livro que eu to fazendo novo, que se chama "Um escuta passageira", que são algumas das inúmeras histórias, que os motoristas de taxi me contam, são maravilhosas! Isso daa maior parceria pro o meu pensamento
- É lindo. Fica aonde? No computador?
- Não não, ta aqui na pasta, eu to revisando alguns, e vou levar para mostrar pra Ana Carolina porque ela vai dizer um conto meu no Canecão.
- Deixa eu ver, é isso que eles chamam de originais é?
- É isso ai.
- Puxa que honra hein? Que dia é o meu? Aqui acontece de um tudo, se a gente contar parece até mentira.
- É Marcos, parece ficção isso sim.
- Bem chegamos, acho que é aqui sim, ela disse que é o único prédio vermelho!
- Tchau, obrigada, bom trabalho
- Tchau. Boa sorte!!
Nos despedimos no de sempre, quando me voltei ainda sob a chuvinha fina, eu já quase entrando no edifício, gritei:
- Marcos
Ele disse:
- Sim
- Você quer saber o final?
Os olhos dele brilhavam, como de uma criança que finalmente toca naquela bola.
- Claro que eu quero, é tudo que eu quero!
- Então vem me buscar que eu te conto!
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postado por: Lili 7:53 PM
Segunda-feira, Março 21, 2005
Postando uma crônica do maravilhoso Arnaldo Jabor que tão sabiamente descreve o amor como ele realmente é...
Este texto como ele mesmo diz no final "Pense nisso", realmente nos faz pensar o porque amamos sem nos importar com o que a pessoa é, de como amamos não nos importando qualquer atitude, fato ou até mesmo caráter.
Este texto nos ajuda a entender como somos capazes de amar e como isso pode ser estranho para outras pessoas, já que quem ama não escolhe e quem escolhe não ama de verdade.
Beijos a todos,
Lili
CRÔNICA DO AMOR (Arnaldo Jabor)
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.
Então?
Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário.
Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você ama este cara?
Não pergunte prá mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao resto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.
Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!
Pense nisso....
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postado por: Lili 10:18 AM
Sexta-feira, Março 18, 2005
No post de hoje coloco um texto de uma grande amiga minha e uma pessoa super especial que é Daniela Salim. Este texto ela havia me passado quando nos conhecemos e gostei muito por isso o guardei.
Bom espero que gostem assim como eu gostei, e agradeço a você Dani por ter me autorizado esse post.
Beijos...
Lili
MOMENTOS (Daniela Salim)
É .....é bem verdade que tem dias que a gente não está pra muita conversa....nestes dias a gente fica assim.....hummm.deixa eu ver.....sem cor...isso....sem cor !!!
E quando ficamos sem cor, acabamos por ficar bege.
Bege ! Ou vocês acham que bege é cor? Se acham, enganam-se!
Eu também tenho os meus dias de bege....aqueles dias que nem a roupa mais colorida é capaz de levantar nosso astral.
Tá, tá tudo bem....temos família, amigos,um amor ou uma paquera....ou várias paqueras...Temos o que se considera básico para as necessidades do ser humano: alimento, vestimenta e saúde. Mas ainda assim, ficamos bege...E não devemos nos culpar por isso.
Quantas vezes já não nos perguntamos o motivo de ficarmos assim?
E por mais que busquemos na mais remota lembrança, não encontramos o motivo.....e ainda nos culpamos por isso......ah...que tolice.
Culpa pesa....e tudo o que precisamos é que alguém nos torne mais leves....
É....quando estamos beges sentimo-nos pesados...
Aí procuramos alguma coisa que nos preencha......sim, porque também sentimo-nos vazios...
Nem mesmo a mais bela roupa do guarda roupa nos chama atenção, nem o mais apetitoso ¿sanduba¿... parece que, nem mesmo aquele perfume ¿carerrerésimo¿ nos deixaria cheirosa quando estamos bege.
O céu não fica tão azul, a Lua cheia não fica tão redonda...ou seria oval ?!?!?!?
Nesse dia tudo mingua....os sonhos, as vontades, os anseios....
É, no dia em que estamos bege, a vida fica bege.
Sabe aquele filme que você já assistiu enésimas vezes ? Aquele que você sabe inclusive o momento em que o protagonista suspira ...e que ás vezes, num ato inconsciente, suspira junto com ele? Aquele filme que te arranca lágrimas, ou que te consome com as mais gostosas gargalhadas? Pois é....neste dia, esse filme fica bege também.....o protagonista fica bege.
Até o mais vermelho vestido de ¿Moulin Rouge¿ fica bege.
Mas bege.....bege é um nome meio feio..hummm...não gosto.
Acho que vou, a partir de agora, substituir a palavra bege por ¿mudança¿.
Sim......mudança....mudança também não tem cor !
Nos dias em que estamos assim, isolados do mundo e isolados de nós, estamos mudando.
E mudar, consiste em reconhecer o silêncio em meio ao mais pesado acorde, da mais pesada guitarra.
Consiste em reconhecer a luz no mais escuro breu.
É reconhecer aquilo que só você reconhece.
É estar inseguro dentro de si... é se questionar... auto criticar... e lembremos auto criticar não significa auto culpar... autopunição não leva a nada....punição machuca... dói.
Mudar é se permitir chorar, gritar, acolher, dançar, sorrir...e principalmente calar.
Mudar é reconhecer que existem dias em que não queremos conversa... é sermos autênticos ao ponto de falar ¿não¿ pra tudo aquilo que não gostamos, que não concordamos, que não aceitamos!
Mudança leva à sabedoria... e mudança dói.
Não conheço absolutamente ninguém que tenha aceitado mudança sem dor... dor de qualquer espécie... mesmo as dores mais brandas, fáceis de serem confundidas: frio na barriga, ansiedade, inquietude...
Pois é... estar bege... não... bege não... estar mudando nos remete aos porquês da vida.....aqueles porquês que aprendemos no ginásio... por que, porque, porquê e por quê...
São vários, que neste momento não estão á nossa frente p/ serem decifrados como nas regras da gramática... estão para nós, com a única e exclusiva missão de nos fazer mudar.
Mudar nos faz crescer.
Devemos agradecer todos os dias por termos dias de mudanças... se temos dias assim, significa que sabemos aproveitar as oportunidades que a vida nos dá.
Mudança não combina com indiferença.
Indiferença fere... trava... mata...
E mudar alimenta, aciona, impulsiona.
O processo de mudança passa... o processo é chato... demorado ás vezes, mas necessário.
E quando o processo passa, o resultado é aparente... e nos faz vibrar, o bege vira colorido... vira vermelho, vira azul, vira amarelo, vira verde... vira lilás... vira nossa cor preferida.
A mudança vira crescimento, vira sorriso, vira risada, vira abraço, vira aplauso, vira canto...
E depois desse processo, sentimo-nos vivos.
Sentimo-nos gente.
Santas oportunidades de introspecção essa vida nos dá...
Santas oportunidades de nos perceber quem somos e porque somos.
Quando mudamos, as coisas que não gostamos mudam também...
O que não muda, são as coisas que gostamos... ah, essas coisas não... estão sempre ali, nos esperando para que possamos enxergá-las com outros olhos... olhos maduros: o ¿sanduba¿ fica mais gostoso mesmo que elaborado através da mesma receita.
O aroma do perfume ¿carerrerésimo¿ fica ainda mais sedutor, a roupa preferida do guarda roupa fica ainda mais bonita, apesar de tão surrada.
E é assim... nosso ciclo de mudanças... é a oportunidade que a vida nos dá de enxergar com outros olhos, aquilo que vemos todos os dias !
É perceber que cada minuto que deixamos de viver com o outro, estando em contato com nosso EU, é um minuto que ganhamos para NÓS.
É saber que cada minuto que ganhamos para nós, é transformado em horas para dividirmos, com quem amamos, os bônus conquistados em cada mudança.
Estar para nós é saber que somos importantes...é saber que precisamos de carinho... de carinho nosso.
Estar para nós é nos valorizar... é nos querermos bem.
Se queira bem... se cuide bem.
Permita-se estar bege quantas vezes forem necessárias... permita-se mudar...
Permita-se estar bege, para tornar-se colorida depois...
Permita-se mudar hoje para ser feliz amanhã!!!!!
Permita-se mudar sempre, para ser feliz a vida inteira!!!!
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postado por: Lili 9:49 AM
Terça-feira, Março 15, 2005
Em meu post de hoje coloco um texto que a Diva Ana Carolina lê em seu show... neste último sábado assisti ao show dela onde ela fazia a leitura deste texto de Luís Fernando Veríssimo.
QUASE (Luís Fernando Veríssimo)
Ainda pior que a convicção do não,
E a incerteza do talvez,
É a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece,
Que me mata trazendo tudo
Que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
Quem quase passou ainda estuda,
Quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades
Que escaparam pelos dedos,
Nas chances que se perdem por medo,
Nas idéias que nunca sairão do papel
Por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes,
O que nos leva a escolher uma vida morna.
A resposta eu sei de cor,
Está estampada na distância e na frieza dos sorrisos,
Na frouxidão dos abraços,
Na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem
Até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece,
O desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos
Para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
E o arco-íris em tons decinza.
O nada não ilumina, não inspira,
Não aflige nem acalma,
Apenas amplia o vazio que
Cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
É desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão,
Para os fracassos, chance,
Para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
Ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor
Não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque,
Que a rotina acomode,
Que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando...
Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando...
Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
Quem quase vive já morreu.
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postado por: Lili 12:28 PM
Segunda-feira, Março 14, 2005
Postando um poema de Luís Vaz de Camões que para mim tem muito significado principalmente por ter conhecido da voz de Renato Russo.
AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER (Luís Vaz de Camões)
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
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postado por: Lili 10:13 AM
Sexta-feira, Março 11, 2005
No post de hoje coloco um texto de Luís Fernando Veríssimo que nos faz recordar os bons tempos de antigamente e também nos lembra de como éramos felizes.
SIMPLESMENTE VERÍSSIMO
"Pensando bem, é difícil acreditar que estejamos vivos até hoje!
Quando éramos pequenos, viajávamos de carro, sem cintos de
segurança,em ABS e sem air-bag!
Os vidros de remédio ou as garrafas de refrigerantes não tinham
nenhumtipo de tampinha especial... Nem data de validade...
E tinham também aquelas bolinhas de gude... Que vinham embaladas
sem instrução de uso.
A gente bebia água da chuva, da torneira e nem conhecia
água engarrafada! Que horror!
A gente andava de bicicleta sem usar nenhum tipo de proteção...
E passávamos nossas tardes construindo nossas pipas ou
nossos carrinhos de rolimã...
A gente se jogava nas ladeiras e esquecia que não tinha freios até
que não déssemos de cara com a calçada ou com uma árvore... E depois
de muitos acidentes de percurso, aprendíamos a resolver o problema...
SOZINHOS!
Nas férias, saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo;
nossos pais às vezes, não sabiam exatamente onde estávamos, mas sabiam
que não estávamos em perigo.
Não existiam os celulares! Incrível!
A gente procurava encrenca. Quantos machucados, ossos quebrados
e dentes moles dos tombos! Ninguém denunciava ninguém... Eram
só "acidentes" de moleques: na verdade nunca encontrávamos um
culpado.
Você lembra destes incidentes: janelas quebradas, jardins
destruídos, as bolas que caíam no terreno do
vizinho...???
Existiam as brigas e, às vezes, muitos pontos roxos... E mesmo que
nos machucássemos e, tantas vezes, chorássemos, passava rápido; na
maioria dasvezes, nem mesmo nossos pais vinham a descobrir...
A gente comia muito doce, pão com muita manteiga... Mas ninguém
era obeso... No máximo, um gordinho saudável... Nem se falava
em colesterol.....
A gente dividia uma garrafa de suco, refrigerante ouaté uma
cerveja escondida, em três ou quatro moleques, e ninguém morreu por causa
de vermes!
Não existia o Playstation, nem o Nintendo... Não tinha TV à cabo,
nem videocassete, nem Computador, nem Internet... Tínhamos,
simplesmente, amigos!
A gente andava de bicicleta ou à pé. Íamos à casa dos
amigos, tocávamos a campainha, entrávamos e conversávamos... Sozinhos,
num mundo frio e cruel...
Sem nenhum controle! Como sobrevivemos? Inventávamos jogos com
pedras, feijões ou cartas... Brincávamos com pequenos monstros:
lesmas, caramujos, e outros animaizinhos, mesmo se nossos pais nos
dissessem para não fazer isso! Os nossos estômagos nunca se encheram de
bichos estranhos!
No máximo, tomamos algum tipo de xarope contra vermes e
outrosmonstros destruidores... Aquele cara com um peixe nas costas...(um
tal de óleo de rícino).
Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros,
e tiveram que refazer a segunda série... Que horror! Não se mudavam
as notas e ninguém passavade ano, mesmo não passando. As
professoras eram insuportáveis! Não davam moleza...
Os maiores problemas na escola eram: chegar atrasado,
mastigar chicletes na classe ou mandar bilhetinhos falando mal da
professora, correr demais no recreio ou matar aula só pra ficar jogando bola
no campinho...
As nossas iniciativas eram "nossas", mas as conseqüências também!
Ninguém se escondia atrás do outro... Os nossos pais eram sempre
do lado da Lei quando transgredíamos as regras! Se nos comportávamos
mal, nossos pais nos colocavam de castigo e, incrivelmente, nenhum
deles foi preso por isso!
Sabíamos que quando os pais diziam "NÃO", era "N Ã O".
A gente ganhava brinquedos no Natal ou no aniversário, não todas
às vezes que ia ao supermercado...Nossos pais nos davam presentes
por amor, nunca por culpa... Por incrível que pareça, nossas vidas não
se arruinaram porque não ganhamos tudo o que gostaríamos,
que queríamos...
Esta geração produziu muitos inventores, artistas, amantes do risco
e ótimos "solucionadores" de problemas... Nos últimos 50 anos, houve
uma desmedida explosão de inovações, tendências...
Tínhamos liberdade, sucessos, algumas vezes problemas e
Desilusões, mas tínhamos muita responsabilidade....
E não é que aprendemos a resolver tudo!!! E sozinhos...
Se você é um destes sobreviventes... PARABÉNS!!!
VOCÊ CURTIU OS ANOS MAIS FELIZES DE SUA VIDA..."
Luís Fernando
Veríssimo
Comentários:
postado por: Lili 11:12 AM
Segunda-feira, Março 07, 2005
Hoje estou postando uma carta que teve e tem muito significado em nossa história e que também julgo uma das maiores declarações de amor, companheirismo, fidelidade, esperança e força.
Beijos emocionados
CARTA DE OLGA BENÁRIO À LUIZ CARLOS PRESTES
Carlos, meu querido. Com a ajuda de nossa Mãe, estou tentando fazer-te chegar estas linhas. Lamentavelmente só me permitem escrever em alemão, sendo necessário, portanto, que te contentes com a tradução de minha carta. Antes de tudo, quero falar-te da nossa pequena. A Anita Leocadia tem agora mais de quatro meses. Ela se desenvolve muito bem. Quando nasceu, pesava 3.800 gramas e agora 6.380 gramas, sendo que, ao mesmo tempo, ela aumentou de 55 para 64 centímetros. Externamente ela é uma mistura de nós dois. Tem cabelos castanhos, tua boca e tuas mãos. É lindo vê-la mover seus dedinhos da mesma maneira que tu. Seus olhos são muito grandes e azuis, mas não tão claros como os meus, antes de um azul violeta. Além disso, ela tem uma tez clara e macia e, lindas faces rosadas. Como eu seria feliz se tu pudesses ver! Ela não é mais, em absoluto, o bebezinho tolo, mas uma verdadeira menininha. Usa vestidinhos, sapatos e meias. Ela está em sua cama, brincando com seus dedinhos e seus brinquedos e tenta, na medida em que pode, metê-los em sua boquinha. Sem dúvida, começará bem cedo a falar, pois balbucia o dia inteiro os mais engraçados sons. O mais lindo é seu sorriso. Ela pode sorrir tão bem que a gente esquece todo o mal deste mundo. Imagine como tu brincarias com ela e puxarias sem parar sua mecha de cabelos, plantada com graça em sua cabeça. É verdadeiramente surpreendente que, após tudo o que passei, a nossa filha esteja tão bem. Sem dúvida, isso se deve em grande parte ao fato de eu a amamentar. Enquanto eu puder fazê-lo, poderá ela, ficar comigo, pois estamos no hospital de uma prisão de mulheres. Quanto a mim, vou mais ou menos bem. Entretanto, a amamentação em tais condições me cansa bastante. Meu querido, a nossa Mãe me mandou teu retrato. Seguidamente passe horas, com a pequena Anita Leocadia nos braços, a olhar-te e estar pelo pensamento contigo. Faz agora mais de um ano que estamos separados. Mas tu sabes - não é verdade? - que todo esse tempo difícil só fez reforçar meus sentimentos para contigo. Certamente, encontrarei forças para esperar o dia feliz em que estaremos de novo unidos. Se for possível, escreve-me! Podes imaginar o quanto estou inquieta de encontrar-me inteiramente sem notícias tuas e que alegria me trariam algumas linhas tuas! A pequena Anita Leocadia envia muitos beijos ao seu papai. Eu te abraço de todo o meu coração.
Tua Olga
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postado por: Lili 1:18 PM
Sexta-feira, Março 04, 2005
Bom como meu primeiro post foi sucesso total hauahauahauha, vou postar um texto que amo de paixão da Elisa Lucida que ilustra muito bem a lealdade existente entre uma senhora e seu cachorro Duque. O texto chama-se "Mon Animal".
Ah aproveito também pra testar esse lance se BLOGGER aqui pois estou perdidinha... novidades né!!!!
Beijos a todos e continuem comentando, sua participação é muito importante para nós hauahauahauahuaahua já ouvi isso...
MON ANIMAL (Elisa Lucinda)
Eu a vejo quase todas as manhãs.
Não é exatamente bonita.
Aliás ela é de uma feiúra estranha como se carregasse uma boniteza espalhada em si, nos gestos e não nos traços exatamente.
Não importa.
Importa é que a vejo acompanhada perenemente pelo seu cão.
Um pastor alemão com cara de bom companheiro.
E o é. Eu vejo. Olha-a muito, encaixa seu focinho entre os joelhos dela, brinca com ela, gane querendo dengo.
Ela também, essa minha vizinha de uns quarenta e vividos anos, brinca de não-solidão com esse cachorro específico;
gosta dele, ri: Não Duque, assim não, deixa o moço, Duque, me espere.
Não vá na minha frente assim, cuidado com o carro, menino. Ele a olha como quem agradece.
E vão os dois, não em vão, pelas ruas de Copacabana sob o sol, felizes que só vendo.
Eu vejo. Ela é camelô; nos encontramos no elevador e eu:
- Vocês se divertem tanto, é tão bonito.
- É, nos conhecemos na rua. Ele olhou pra mim bem nos meus olhos. Eu estava trabalhando. Vi logo que era um cão bem cuidado fisicamente mas faltava-lhe carinho. Deixei minhas bugigangas (ela vende coisas que querem imitar jóias antigas) por não sei quanto tempo e fiquei agachada na calçada na Avenida Nossa Senhora, só namorando ele. Decidimos que ele viveria comigo. Naturalmente.
Tudo aconteceu "naturalmente", ela frisou, como se quisesse dissipar de mim qualquer sombra de suspeita de um possível roubo. Noutro dia no mesmo elevador, ela com seu carrinho de balangandãs, eu e Duque.
O elevador apertado e ela continuou femininamente a conversa do último elevador nosso:
- Tenho certeza que ele é de câncer. É muito sensível. Só falta falar. Né Duque? ... ele não é lindo?
Eu disse: Lindíssimo. E você que signo é?
- Ah, sou capricórnio mas com ascendente em câncer, combina sim.
Eu vejo Duque lambendo as mãos dela, as magras mãos cujos dedos ela oferecia de propósito e distraidamente à mordida dele.
Eu olho admirando receosa por conta dos afiados dentes dele.
Quase não entendo de cães.
Você tem medo... ô não ofenda ele; Duque entende pensamentos e não gostou do que você pensou. Jamais me morderia, jamais me trairia. Né Duque?
Senti o pensamento de Duque latindo que jamais a trairia.
Achei bonito.
Chegamos.
Tchau, bom trabalho.
Tchau Duque. Fui para a rua pensando longamente nos dois. Depois pensei nos mistérios da astrologia e perdi o fio do meu pensamento.
Ao final da tarde avistei pela janela Duque e Angela indo ver o crepúsculo na praia.
Depois vi os dois voltando sorridentes e caninos, sob a noite estrelada; ela com fitas de vídeo penduradas ao braço; sempre conversando com ele.
Tenho inveja de Angela. This is the true. O animal que eu quero não mora comigo, não almoça mais comigo, não brinca mais, não me telefona, não me advinha os pensamentos, não me acompanha ao crepúsculo, não gane querendo dengo, nossos signos parecem não mais combinar.
O animal que quero, pensa demais e por isso não passeia mais comigo.
E o pior: Não me lambe mais.
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postado por: Lili 8:35 AM
Quarta-feira, Março 02, 2005
Em meu primeiro post coloco uma música muito significativa e importante pra mim. Diz coisas que gostaria de dizer e não encontro minhas próprias palavras, portanto faço uso dela pra me expressar.
Beijos Lili
Esperando aviões (Vander Lee)
Meus olhos te viram triste
Olhando pro infinito
Tentando ouvir o som do próprio grito
E o louco que ainda me resta
Só quis te levar pra festa
Você me amou de um jeito tão aflito
Que eu queria poder te dizer sem palavras
Eu queria poder te cantar sem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões
Cada dia que passo sem sua presença
Sou presidiário cumprindo sentença
Sou o velho diário perdido na areia
Esperando que vocême leia
Sou pista vazia esperando aviões
Sou o lamento do canto da sereia
Esperando o naufrágio das embarcações.
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postado por: Lili 3:25 PM