Sou assim... feliz e triste, amável e briguenta, companheira e individualista, obediente e mandona, legal e chata, acompanhada e sozinha, despojada e materialista, etc e etc... Enfim, sou como todo mundo com qualidades e defeitos hauahauahau.
Quinta-feira, Junho 23, 2005
Hoje com Arnaldo Jabor, nem preciso falar nada sobre ele, né? Um cara super inteligente que sempre em seus textos mostra a vida como ela é e acaba por nos fazer rir quando nos pegamos fazendo algo que é citado nos mesmo.
Ele simplesmente coloca de forma brilhante coisas que as vezes achamos ridículas e sem perceber acabamos fazendo, por isso digo como ele neste texto, vamos ser idiotas e tornar a vida e as coisas muito mais alegres para nós e para os que nos cercam.
Beijos a todos... e continuem comentando, meu blogger é um sucesso kkkkkkkk...
Carioca nascido em 1940, o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional e no Bom Dia Brasil, o estilo irônico com que comenta os fatos da atualidade brasileira.
SEJA UM IDIOTA (Arnaldo Jabor)
A idiotice é vital para a felicidade
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz!
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações,dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias,inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo,sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer?
Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios".
"Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche"
Comentários:
postado por: Lili 4:53 PM
Quarta-feira, Junho 22, 2005
Postando novamente Oscar Wilde com apenas algumas frases encontradas em seus textos. Percebemos que ele era uma pessoa sem medo de dizer as coisas que pensava e que até mesmo ofendia pessoas com tais frases, enfim, percebe-se também que era uma pessoa sincera e sem medo do que poderia acontecer.
Enfim... postando por postar pois sei que poucas são as pessoas que lêem meus posts, mas o pouco que lê já me faz sentir vontade de continuar e também por satisfação pessoal já que gosto muito deste espaço.
Beijos a todos que se interessam pelo meu blogger.
Oscar Wilde foi um dramaturgo, escritor e poeta irlandês (Dublin, 16 de outubro de 1854 ¿ Paris, 30 de novembro de 1900). Expoente da literatura inglesa durante o período vitoriano, sofreu enormes problemas por sua condição homossexual, sendo preso e humilhado perante a sociedade.
FRASES (Oscar Wilde)
- "Experiência é o nome que nós damos aos nossos próprios erros."
- "Para ser popular é necessário ser uma mediocridade."
- "Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza."
- "Tenho o mais simples dos gostos. Só me contento com o melhor."
- "O dever é o que esperamos do comportamento dos outros."
- "A diferença entre a empolgação e o amor eterno é que a empolgação dura mais."
- "Uma idéia que não é perigosa não merece ser chamada de idéia."
- "Não pode haver amizade entre homem e mulher. Pode haver paixão, hostilidade, adoração, amor, mas não amizade."
- "Desconfiem de mulher que confessa a sua verdadeira idade. Uma mulher que diz isto, poderá dizer qualquer coisa."
- "Certas criaturas têm a mania de dar bons conselhos precisando tanto deles para si... É o que chamo de cúmulo da generosidade."
- "A verdade jamais é pura e raramente é simples."
- "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas não faz mais do que existir."
- "There is no sin except stupidity."
- Tradução: Não há pecado, exceto a estupidez.
Fonte: The Critic as Artist, 1891
- "Viva depressa, morra jovem e seja um cadáver atraente."
- "Todas as grandes idéias são perigosas."
- "Apenas as pessoas que já perderam totalmente a memória publicam suas memórias."
- "A melhor maneira de ter bons filhos é fazê-los felizes."
- "A caridade cria uma multidão de pecados."
- "O maior castigo que o destino aplica ao homem casado é ver que sua mulher sempre acaba por se parecer com sua sogra."
- "Os homens casam porque estão cansados. As mulheres, por curiosidade. Ambos são logrados."
- "Quando uma mulher se casa pela segunda vez, é sinal de que detestava o primeiro marido. O homem, ao contrário só torna a casar se adorou sua primeira mulher."
- "O cérebro de um erudito é uma coisa terrível. É como uma casa de Belchior em que se encontram as mais disparatadas inutilidades, quase todas cobertas de pó e com o preço marcado muito acima de seu valor."
Origem: Wikiquote, a enciclopédia livre.
Comentários:
postado por: Lili 9:32 AM
Terça-feira, Junho 14, 2005
Voltando com Carlos Drummond de Andrade. Em minhas pesquisas sobre poemas e textos de escritores conhecidos me deparei com essa maravilha e como gostei muito volto a postar novamente, o que não seria sacrifício.
No texto de hoje falando sobre uma coisa que não gosto muito (risos), a cerveja, mas o que importa mesmo no texto é conhecimento. Conhecimento este adquirido com o tempo e com a vida, conhecimento que nos faz mais experientes.
Não posto hoje a biografia do autor pois já havia postado anteriormente no texto "RECOMEÇAR". porém coloco uma foto onde mostra o autor um pouco mais jovem do que na foto anterior.
A DE SEMPRE (Carlos Drummond de Andrade)
- Até beber cerveja ficou difícil ¿ queixa-se.
- O preço?
- Não. A variedade. O embaras du choix.
- Mas se você já estava acostumado com uma...
- E as novas que aparecem? Em cada Estado surge uma fábrica, se não surgem duas. Cada qual oferecendo diversas qualidades. Você senta no bar de sua eleição, um velho bar onde até as cadeiras conhecem o seu corpo, a sua maneira de sentar e de beber. Pede uma cervejinha, simplesmente. Não precisa dizer o nome. Aquela que há anos o garçom lhe traz sem necessidade de perguntar, pois há anos você optou por uma das duas marcas tradicionais, e daí não sai. Bem, você pede a cervejinha inominada, e o garçom não se mexe. Fica olhando pra sua cara, à espera de definição. Você olha para cara dele, como quem diz: Quê que há, rapaz? Então ele emite um som: Qual? Você pensa que não ouviu direito, franze a testa, num esforço de captação: qual o quê? Qual a marca, doutor? Temos essa, aquela, aquela outra, mais outra, e outra, e outras mais. . Desfia o rosário, e você de boca aberta: Como? Ele está pensando que eu vou beber elas todas? Acha que sou principiante em busca de aventura? Quer me gozar? Nada disso. O garçom explica, meio encabulado, que a casa dispõe de 12 marcas de cerveja nacional, fora as estrangeiras, sofisticadas, e ele tem ordem de cantar os nomes pra freguesia. Até pra mim, Leovigil? pergunto. Bem, o patrão disse que eu tenho de oferecer as marcas pra todo mundo, as novas cervejas têm de ser promovidas. Não mandou abrir exceção pra ninguém, eu é que, em atenção ao doutor, fiquei calado, esperando a dica... Não quis forçar a barra, desculpe.
- E aí?
- Aí eu disse que não havia o que desculpar, ordens são ordens e eu não sou de infringir regulamentos. Os regulamentos é que infringem a minha paz, freqüentemente. Mas para não dar o braço a torcer, nem me declarar vencido pela competição das cervejas, concluí: Leovigil, traga a de sempre.
- Não quis dizer o nome?
- Não. Minha marca de cerveja ¿ "minha garrafa", digamos assim, pois a individualidade começa pela garrafa ¿ passou a chamar-se "a de sempre". Não gosto de mudar as estruturas sem justa causa, nem me interessa dançar de provador de cerveja, entende?
- Mas que custa experimentar, homem de Deus?
- Só por experimentar, acho frívolo. Os moços, sim, não encontraram ainda sua definição, em matéria de cerveja e de entendimento do mundo. Saltam de uma para outra fruição, tomam pileques de ideologias coloridas, do vermelho ao negro, passando pelo róseo, pelo alaranjado e pelo furta-cor. Mas depois de certa idade, e de certa experiência de bebedor, você já sabe o que quer, ou antes, o que não quer. Principalmente o que não quer. E é isso que os outros querem que você queira. Tá compreendendo?
- Mais ou menos.
- Na verdade, não há muitas espécies de cerveja, no mundo das idéias. Mas os rótulos perturbam. Uns aparecem com mulher nua, insinuando que o gosto é mais capitoso. Bem, até agora não vi rótulo de cerveja mostrando mulher com tudo de fora, mas deve haver. Mulher se oferecendo está em tudo que é produto industrial, por que não estaria nos sistemas de organização social, como bonificação?
- Você está divagando.
- Estou. Divagar é uma forma de transformar pensamentos em nuvem ou em fumaça de cigarro, fazendo com que eles circulem por aí.
- Ou se percam.
- E se percam. Exatamente. 0 importante não é beber cerveja, é ter a ilusão de que nossa cerveja é a única que presta.
- Sujeito mais conservador! Ou sábio, quem sabe?
Texto extraído do livro ¿De notícias & não notícias faz-se a crônica¿, Livraria José Olympio Editora ¿ Rio de Janeiro, 1974, pág. 137.
Comentários:
postado por: Lili 9:57 AM
Sexta-feira, Junho 10, 2005
Postando uma cônica de Fernando Sabino. Mais uma que recebi na minha amiga Damaris que insiste em não comentar no meu blogger.
Achei essa crônica muito bonita pois mostra como podemos ser felizes com pequenas coisas. As vezes exigimos demais da vida, enquanto para sermos felizes completamente vai de corrermos atrás da nossa felicidade e posso dizer que ela realmente existe, mesmo que as vezes não pareça, ela existe até mesmo quando tudo parece estar perdido, ela existe num sorriso ou em um gesto de carinho, ela existe na simplicidade e humildade das coisas.
Esta crônica eu dedico a você que tão intensamente me faz feliz simplesmente por existir.
Beijos a todos
P.S.: Que o Lula não leia a parte que o Fernando Sabino chamou pessoas da raça afrodescendente como pretos ou negrinhos (risos).
BIOGRAFIA
Morreu em 11 de outubro de 2004, véspera do seu aniversário, por volta de meio-dia, o escritor Fernando Sabino. O escritor vinha lutando há dois anos com um câncer no esôfago.
Fernando Tavares Sabino era mineiro de Belo Horizonte, onde nasceu em 12 de outubro de 1923, filho do representante comercial Domingos Sabino e de Odete Tavares Sabino. Na infância e juventude, destacou-se como escoteiro, locutor de programa infantil aos 12 anos e autor do primeiro conto ainda no secundário. Aos 16 anos venceu vários campeonatos de nado de costas em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro e, aos 17 anos, escreve artigos literários para o jornal mineiro O Diário, onde também eram publicados Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino.
Sempre eclético, faz serviço militar na cavalaria do CPOR, estuda direito e entra para o funcionalismo público em 1942 na secretaria de Finanças, além de dar aulas de português. Em 1944, muda-se para o Rio, onde vai trabalhar na justiça e convive com a nata intelectual do então distrito federal, incluindo Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Di Cavalcanti e Manuel Bandeira.
Em 1946, forma-se em direito e se muda para os Estados Unidos para trabalhar no consulado brasileiro. De lá inicia uma longa cooperação com a imprensa brasileira, escrevendo para o ''Diário de Notícias'' e, ao longo dos anos, para o ''Diário Carioca'', ''O Jornal'', ''Jornal do Brasil'' e ''O Globo''.
Seu primeiro sucesso literário foi o romance ''Encontro marcado'', lançado em 1956, lançado em vários países e levado diversas vezes ao teatro. Em 1962, outro livro de sucesso, "A mulher do vizinho" e escreve o roteiro do filme "O homem nu", com direção de Roberto Santos com Paulo José.
Foi adido cultural da embaixada do Brasil em Londres durante o governo de João Goulart e fundou em 1967 a editora Sabiá, em sociedade com Rubem Braga que lança autores como Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Pablo Neruda e Manuel Puig. Em 1971 exerce seus dotes de diretor de cinema, realizando um curta sobre Rubem Braga e, no ano seguinte, oito pequenos documentários sobre Hollywood para a Rede Globo.
Em 1979, lança "O grande mentecapto", que lhe vale o prêmio Jabuti. Lança ainda "O menino no espelho" (1982), "O gato sou eu" (1983), faca de dois gumes (1985) e é condecorado com a Ordem do Rio Branco pelo governo brasileiro. Em 1991, lança a biografia autorizada da então toda poderosa do governo Collor, Zélia Cardoso de Mello. Na seqüência, lança em "Aqui estamos todos nus" (1983), seguido de "Com a graça de Deus" (1995), "A chave do enigma" (1999) e "Amor de Capitu" (2000).
"Nasci homem, morro menino".
Fernando Sabino
12/10/1923 - 11/10/2004
ÚLTIMA CRÔNICA (Fernando Sabino)
"A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
Crônica publicada no livro "A Companheira de viagem" (Editora Record, 1965)
Comentários:
postado por: Lili 10:09 AM